Archive for category Crônicas

A maldição do professor

pro­fes­sor

Recebi esse texto abaixo, hoje, por e-mail. Achei inte­res­sante, então, resolvi compartilhá-lo com vocês, pois em diver­sos momen­tos do texto, me iden­ti­fico . Caso você seja pro­fes­sor, pro­va­vel­mente vai tam­bém se iden­ti­fi­car com o texto.

Conta a lenda que, quando Deus libe­rou o conhe­ci­mento sobre como ensi­nar os homens, deter­mi­nou que aquele “saber” fica­ria res­trito a um grupo muito sele­ci­o­nado de sábios. Mas, neste pequeno grupo, onde todos se acha­vam “semi-deuses”, alguém traiu as deter­mi­na­ções divinas…

Aí acon­te­ceu o pior!
Deus, bravo com a trai­ção, resol­veu fazer valer alguns mandamentos:


1º — Não terás vida pes­soal, fami­liar ou sen­ti­men­tal.

2º — Não verás teu filho cres­cer.

3º — Não terás feri­ado, fins de semana ou qual­quer outro tipo de folga.

4º — Terás gas­trite, se tive­res sorte. Se for como os demais terás úlcera.

5º — A pressa será teu único amigo e as suas refei­ções prin­ci­pais serão os lan­ches, as piz­zas e o china in box.

6º — Teus cabe­los fica­rão bran­cos antes do tempo, isso se te sobra­rem cabe­los.

7º — Tua sani­dade men­tal será posta em che­que antes que com­ple­tes 5 anos de tra­ba­lho;

8º — Dor­mir será con­si­de­rado período de folga, logo, não dor­mi­rás.

9º — Tra­ba­lho será teu assunto pre­fe­rido, tal­vez o único.

10º — As pes­soas serão divi­di­das em 2 tipos: as que ensi­nam e as que não enten­dem. E verás graça nisso.

11º — A máquina de café será a tua melhor colega de tra­ba­lho, porém, a cafeína não te farás mais efeito.

12º — Happy Hours serão exce­len­tes opor­tu­ni­da­des de ter algum tipo de con­tato com outras pes­soas lou­cas como você.

13º — Terás sonhos, com cro­no­grama, pla­ne­ja­mento, pro­vas, fichas de alu­nos, pro­vas subs­ti­tu­ti­vas e não raro, resol­ve­rás pro­ble­mas de tra­ba­lho neste período de sono.

14º — Exi­bi­rás olhei­ras como tro­féu de guerra.

15º — E, o pior.….… inex­pli­ca­vel­mente gos­ta­rás de tudo isso…

16º Serás cha­mado de PROFESSOR!

E fina­li­zando, eis a nossa ora­ção (docente):

ORAÇÃO DO PROFESSOR

Pla­ne­ja­mento que estais no computador

Car­re­gado seja o Vosso Programa

Venha a nós o vosso ensinamento

Seja gerada a ficha de lançamento

Assim no Diá­rio como no email

A con­tra­par­tida nossa de cada dia nos dai hoje,

Per­doai os nos­sos deslizes

Assim como nós per­do­a­mos quando há deslizes

Não nos dei­xeis cair em Auditoria

E livrai-nos da Fis­ca­li­za­ção da direção

Amém.

Envi­ado por: Lafai­ete Fontes

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Dia do Professor: adia a pizza

DIA DO PROFESSOR: ADIA A PIZZA!

Primeiro logo do Artigão

Pri­meiro logo do Artigão

Quinze de outu­bro. De novo, pou­cas novi­da­des. Em pleno o segundo turno das elei­ções, o dia do pro­fes­sor serve de refe­rên­cia para espe­cu­la­ções elei­to­rei­ras sobre a situ­a­ção da edu­ca­ção pública e pro­mes­sas de melho­ras para este pro­fis­si­o­nal tão em baixa.

Em nossa escola, os pro­fes­so­res, enti­tu­la­dos como des­cen­den­tes dire­tos da linha­gem oní­rica cri­ada por Cer­van­tes em seu “Dom Qui­xote”, como seres raros que vivem sob os sig­nos diver­sos, mas com­ple­men­ta­res, da pai­xão e da razão, como exem­plos de vida, Peter Pan’s atu­ais e pro­fun­da­mente entu­si­as­ma­dos com a men­sa­gem pro­fe­rida pelo Secre­tá­rio de Edu­ca­ção do Estado de São Paulo, Gabriel Cha­lita, resol­ve­ram come­mo­rar seu dia.

A esco­lha do local não foi o mais difí­cil, pois havia sobra de uma outra come­mo­ra­ção rea­li­zada dias antes, na casa de um dos pro­fes­so­res. Como o que estava dis­po­ní­vel não sofria pere­ci­vi­dade, o grupo nem se sen­tiu comendo as rebar­bas de uma festa, afi­nal não havia nada mesmo para se comer, a sobra era umas lati­nhas de cer­ve­jas, não toma­das por falta de res­fri­a­mento ade­quado, uma gar­rafa aberta de algum des­ti­lado e a grande von­tade de come­mo­rar. Ah! Ali­ado a von­tade, ainda se con­tava com um vide­okê de car­tu­cho único, daquele que, den­tre as várias opções, já se sabe o que cada pes­soa vai ten­tar cantar.

Che­gando ao local da festa e se depa­rando com a quase ine­xis­tên­cia de alguma gulo­seima para se belis­car — salvo um saco de pão, não aberto e extre­ma­mente duro, tam­bém res­caldo da última festa -, os pro­fes­so­res dis­cu­ti­ram a pos­si­bi­li­dade de esno­bar e soli­ci­tar via “disk-delivery” umas piz­zas e refri­ge­rante. A pri­meira sur­presa se deu na hora de ligar para a piz­za­ria, o tele­fone do pro­fes­sor estava cor­tado havia dois meses por falta de paga­mento da conta telefô­nica. Celu­la­res? Vários. Com cré­dito? Ape­nas um, que con­tro­lava às duras penas os par­cos cré­di­tos exis­ten­tes e só o man­ti­nha fun­ci­o­nando para rece­ber liga­ções. A saída foi dirigir-se à casa de um outro pro­fes­sor para rea­li­zar o tão espe­rado pedido.

Coube a esse pro­fes­sor, até por ser pos­sui­dor de uma linha telefô­nica em con­di­ções de uso, a esco­lha dos sabo­res das piz­zas. Este pediu logo qua­tro sabo­ro­sas piz­zas e dois refri­ge­ran­tes em emba­la­gens pet de dois litros.

Enquanto se aguar­dava as piz­zas, pia­das, con­ver­sas, bebe­ri­ca­das de des­ti­lado, um ou outro se desa­fi­ando e desa­fi­nando no videokê.

O grupo viven­ci­ava a expec­ta­tiva da che­gada das piz­zas. Har­mo­ni­o­sa­mente o dire­tor da escola, o coor­de­na­dor peda­gó­gico, a secre­tá­ria e mais seis pro­fes­so­res aguar­da­vam ansi­o­sa­mente pelo buzi­nar da moto tra­zendo as quentinhas.

Não tar­dou e logo se ouviu a buzina. A expec­ta­tiva transformara-se rapi­da­mente numa espé­cie de des­pre­o­cu­pa­ção, num sen­ti­mento de que não é comigo, na sen­sa­ção de que quem aten­desse o moto­queiro, desem­bol­sa­ria o paga­mento das piz­zas. No ter­ceiro toque da buzina, um pro­fes­sor mais abo­nado arran­cou a sua única nota e com dez reais resol­veu agi­li­zar uma vaqui­nha. Conta dali, daqui, um vai ao banheiro, um outro can­tar, outro saca suas últi­mas moe­das tota­li­zando qua­renta cen­ta­vos, argu­men­tando que só iria comer a azei­tona e a vaqui­nha não passa de vinte reais. O cora­joso pro­fes­sor dirige-se ao moto­queiro já sen­tado na cal­çada sob uma con­tí­nua garoa e com o pedido nas mãos e tem a fatí­dica sur­presa de que o débito era de qua­renta e cinco reais. Retorna para a sala da casa. Os pro­fes­so­res dis­cu­tem, chega-se a falar em devol­ver parte do pedido; outro mais etí­lico pro­põe o seqües­tro do moto­queiro. Solu­ção: talão de che­ques! Afi­nal todos haviam rece­bido paga­mento há dez dias Outra sur­presa. Havia ape­nas um pro­fes­sor com talão de che­ques — quase sinô­nimo de nome limpo na praça -.

O che­que foi assi­nado. Se havia fun­dos não se sabe. Porém, como des­cen­den­tes dire­tos da linha­gem oní­rica cri­ada por Cer­van­tes em seu “Dom Qui­xote”, comemorou-se o dia do pro­fes­sor no mais abso­luto retrato do que é o seu dia-a-dia.

Obs: Seria cômico se o fato não fosse verídico!

Dedico aos meus cama­ra­das, José Alves, Altair, Jorge, Eve­raldo que esta­vam pre­sen­tes no adia a pizza e cole­gas de tra­ba­lho da E.E. Gal. José Arti­gas, loca­li­zada em Diadema

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