A matemática é o problema…


pro­fes­sor

Na pri­meira parte, apre­sen­ta­mos um relato de um de meus alunos,do curso Sis­te­mas de Infor­ma­ção da UNIBAN-BRASIL, sobre o apren­di­zado da mate­má­tica e a rela­ção com o corpo docente. E, na segunda uma repor­ta­gem sobre a impor­tân­cia do ensino da matemática.

Envi­ado por: Ede­mil­son Lima

“Se em algum momento a cri­ança não foi bem nesse pro­cesso, ela está con­de­nada a não ir bem nas outras eta­pas”. Foi exa­ta­mente isso que acon­te­ceu comigo… Na quinta série tive uma exce­lente pro­fes­sora de mate­má­tica, que sabia trans­mi­tir a maté­ria e a gente tinha pra­zer em apren­der. Depois disso, só tive pés­si­mas pro­fes­so­ras da sexta série até o final do segundo grau… Saí da escola pra­ti­ca­mente sem saber nada. Só foi apren­der mate­má­tica nova­mente no pri­meiro ano da Uni­ban, com você. Quem dera eu tivesse naquela época pro­fes­so­res de mate­má­tica que ensi­nas­sem tão bem quanto você ensina. Para­béns por ser o exce­lente pro­fes­sor que você é! Para­béns por saber tra­zer aos alu­nos o gosto por essa maté­ria tão fun­da­men­tal e tão impor­tante para todas as outras áreas.

A mate­má­tica é o problema

Para man­ter o ritmo da eco­no­mia, o Bra­sil pre­cisa impor­tar os pro­fis­si­o­nais que domi­nam essa arte exata e mal ensi­nada nos colé­gios do país

Segundo o Con­se­lho Fede­ral de Enge­nha­ria, Arqui­te­tura e Agro­no­mia (Con­fea), a China forma em torno de 400.000 enge­nhei­ros por ano; a Índia, em torno de 280.000 e a Coreia, 80.000 (Jeff J Mitchell/Getty Images)

Pouco menos da metade da popu­la­ção com idade entre 15 e 64 anos, com ensino médio e supe­rior com­ple­tos, pode ser con­si­de­rada ple­na­mente alfa­be­ti­zada em matemática

O céle­bre mate­má­tico inglês God­frey Hardy disse que um teo­rema não pode ser des­feito. Um teo­rema, por sua vez, é uma afir­ma­ção que pode ser pro­vada. Provou-se, no último rela­tó­rio do Pro­grama Inter­na­ci­o­nal de Ava­li­a­ção de Alu­nos (Pisa, na sigla em inglês), por a+b, que a mate­má­tica é o ponto mais fraco de 3.292.022 alu­nos bra­si­lei­ros. Iro­nia dos gre­gos, que bati­za­ram “pra­zer de apren­der” com a pala­vra mathe­má­ti­kos. Pro­blema do Bra­sil, que pre­cisa impor­tar aque­les que con­cor­dam com a eti­mo­lo­gia dessa arte exata.

Neste ano, o país terá tra­zido para cá 4.800 enge­nhei­ros estran­gei­ros. A cada ano, são for­ma­dos 32.000 novos pro­fis­si­o­nais dessa área. Muito pouco, já que só a indús­tria auto­mo­bi­lís­tica e a Petro­bras pre­ci­sam de 34.000. A conta já foi feita: um estudo do Ins­ti­tuto de Pes­quisa Econô­mica Apli­cada (Ipea) mos­trou que, se a eco­no­mia cres­cer 3,5% ao ano, a par­tir de 2015 nosso esto­que de enge­nhei­ros não aten­derá a demanda e a escas­sez será um grave pro­blema. Segundo o Con­se­lho Fede­ral de Enge­nha­ria, Arqui­te­tura e Agro­no­mia (Con­fea), a China forma em torno de 400.000 enge­nhei­ros por ano. A Índia, em torno de 280.000. A Coreia, 80.000.

O pro­blema, acre­di­tam os espe­ci­a­lis­tas, está na pri­meira casa deci­mal. Os pri­mei­ros anos da edu­ca­ção básica no Bra­sil são ensi­na­dos por pro­fes­so­res que cur­sa­ram peda­go­gia, onde não se ensina mate­má­tica. “E a mate­má­tica tem pecu­li­a­ri­da­des. Ela é sequen­cial, se não apren­der a somar, não aprende a mul­ti­pli­car. Se não aprende a mul­ti­pli­car, não aprende a divi­dir. Se em algum momento a cri­ança não foi bem nesse pro­cesso, ela está con­de­nada a não ir bem nas outras eta­pas”, afirma Suely Druck, dire­tora das Olim­pía­das Bra­si­lei­ras de Mate­má­tica das Esco­las Públi­cas e pro­fes­sora do curso de mate­má­tica da Uni­ver­si­dade Fede­ral Flu­mi­nense (UFF). “Quando você ensina uma cri­ança que se ela colo­car a plan­ti­nha no sol e der água vai cres­cer, ela entende, mesmo sem saber o que acon­tece exa­ta­mente na fotos­sín­tese. Com a mate­má­tica não, ela tem que enten­der tudo desde muito pequena. Isso exige pro­fes­so­res pre­pa­ra­dos, infra­es­tru­tura, uma série de fato­res. Tem todo um con­texto para dar errado.”

Para ten­tar des­fa­zer o teo­rema de que bra­si­leiro não sabe e não gosta de mate­má­tica, Suely criou o evento que dis­tri­bui 1.100 meda­lhas de ouro, 1.800 de prata e 2.700 de bronze. Aque­les que alcan­çam os 3.000 pri­mei­ros luga­res rece­bem uma bolsa de ini­ci­a­ção cien­tí­fica “e são mer­gu­lha­dos em mundo de ciên­cia e tec­no­lo­gia, de uma maneira que nunca mais quei­ram viver sem isso”, explica Suely. Eles des­co­brem algo que estava à dis­po­si­ção deles, e do qual não faziam idéia. “É muito emo­ci­o­nante ver a rea­ção das famí­lias, aque­las senho­ras que che­gam a ir car­re­ga­das à pre­mi­a­ção, para ver o neto rece­ber uma meda­lha de mate­má­tica, uma coisa inal­can­çá­vel para a mai­o­ria delas”, conta.

Essa ciên­cia é mesmo difí­cil de se domi­nar no Bra­sil. Em 2007, o Ins­ti­tuto Paulo Mon­te­ne­gro, ligado ao Ibope, entre­vis­tou pes­soas de todas as fai­xas etá­rias bus­cando mapear o anal­fa­be­tismo fun­ci­o­nal mate­má­tico, um para­lelo com o que é feito na área das huma­nas, iden­ti­fi­cando aque­les que sabem ler, mas não enten­dem o que estão lendo. Pouco menos da metade da popu­la­ção com idade entre 15 e 64 anos, com ensino médio e supe­rior com­ple­tos, pode ser con­si­de­rada ple­na­mente alfa­be­ti­zada em matemática.

A Soci­e­dade Bra­si­leira de Mate­má­tica iden­ti­fi­cou o pro­blema, e criou um mes­trado pro­fis­si­o­na­li­zante, para pro­fes­so­res do ensino básico. “Claro que a for­ma­ção de um pro­fes­sor de mate­má­tica não se encerra na pró­pria mate­má­tica, é pre­ciso domi­nar a rela­ção entre o conhe­ci­mento mate­má­tico e a sua vivên­cia em sala de aula. Mas uma for­ma­ção sólida dos pro­fes­so­res é uma con­di­ção sine qua non para um ensino de qua­li­dade”, afirma Maria Apa­re­cida Ruas, repre­sen­tante da ins­ti­tui­ção. “E saber mate­má­tica é uma ques­tão de cida­da­nia, como saber ler e escrever.”

Fonte: Veja Online

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